quinta-feira, 15 de julho de 2010

União transformado no Castelo de Camelot

O 22° Baile da Comenda do Vinho surpreendeu cerca de 300 convidados em uma noite de magia, realizada no último sábado, dia 10. Com a temática abordando Camelot, em um cenário de reis, rainhas e cavaleiros medievais, o Clube se transformou em um maravilhoso castelo. Os Comendadores 2010 brindaram a todos com encantamento, glamour, classe, elegância, regados a ótima bebida, comida e atrações artísticas. O sucesso se refletiu no fascínio dos que participaram da noite festiva.

Mistério guardado até o fim

Ao pisar no primeiro degrau do Clube União Guaporense, os convidados viajavam no tempo e ingressavam, recepcionados pelo “bobo da corte”, ao castelo de uma das maiores histórias de honra, valentia e amor do mundo: o Castelo de Camelot, no Reino do Rei Arthur.
Arthur, a Rainha Guinivére, os Cavaleiros da Távola Redonda, Morgana das Fadas e o Mago Merlin eram os anfitriões da noite. Todos estes antigos e mágicos personagens já foram ao longo do tempo enaltecidos por poetas, escritores, dramaturgos e cineastas.
A localização exata de Camelot (a história se passa onde hoje se localiza a Grã Bretanha) nunca foi determinada ao certo e o corpo do corajoso Rei Arthur jamais foi encontrado. Para Historiadores, o Reino de Camelot e seus inesquecíveis habitantes ainda é um tema digno de muitos estudos e aprofundadas pesquisas.


A magia do baile

Após o encanto inicial pelo cenário, os convidados ficaram emocionados com a apresentação dos comendadores. As vestes, lembrando rainhas e reis medievais, retrataram Arthur, Guinivére e os Cavaleiros da Távola Redonda. Em passos de dança, como nos antigos bailes de Camelot, a coreografia foi o grande show da noite.
A cargo da Cantina Roma, a decoração transformou o Clube em um castelo medieval. Nos mínimos detalhes, todos os convidados se sentiam dentro deste ambiente. Servido à inglesa, o jantar trouxe comida requintada, agradando a todos os paladares e sendo muito elogiada. As entradas, sobremesas, cafeteria, trufas, doces e salgados chamaram atenção pela variedade e pelo inigualável sabor. O jantar e as especiarias também ficaram a cargo da Cantina Roma, de Marau. A variedade da carta de bebidas também foi aprovada, e foram muitos os brindes que deram um brilho ainda maior a noite de sonhos.
Todo Reino que se preza tem magia no ar. Merlin e Morgana foram os responsáveis pelo show de mágica, atração especial da Comenda do Vinho. O ritmo do grande baile festivo no Castelo Camelot ficou a cargo do Musical Havaí. A diversão durou até raiar o dia.

Os prêmios

Mais de 20 prêmios de vales brindes de valores de R$ 300 em lojas foram presenteados aos participantes. Os patrocinadores também participaram de sorteio especial. O prêmio máximo, uma viagem a Buenos Aires, foi sorteada para Leandro Agosti.


Os novos comendadores
- Cláudia e Rodrigo Marin
- Dilamar e Valdir Pala
- Maria e Luis Alberto Bruschi
- Alessandra e Cristian Melatti
- Jeneci e Adalberto Bastian
- Sheila Casagrande e Eder Giaretta
- Fabiana e Evandro Ghizzi
- Luis Garcias e Fernanda Grando
- André e Katiusca Melati

 
Comendadores 2010
- Milady Sônia de Fátima e Sir. Ladi Cristófoli
- Milady Letícia Gheno Quadri e Sir.Giovani André Endres
- Milady Josiane e Sir. Jonas Agosti
- Milady Graziela e Sir.Rogério Gallon
- Milady Fabiane e Sir. Rudinei Marin
- Milady Maika Rupolo e Sir. Joacir Giaretta
- Milady Marinês Gomes e Sir. Giovani Piva

Os melhores amigos do homem

Eles são lindos, leais e brincalhões. Fazem bem para a saúde e, principalmente, são grandes companheiros de seus donos. Não importa a raça, a cor, o tamanho. O que importa mesmo é ser amigo de verdade. Os bichinhos de estimação são atrações à parte nos passeios de domingo, dentro dos automóveis, abanando as orelhinhas nas janelas ou pelas ruas de Guaporé. Dos vira-latas às mais nobres e delicadas raças, eles são amados e paparicados por seus donos.
Na cidade, o setor de comércio e serviços cresce e se expande para atender esta demanda. São clínicas veterinárias equipadas com complexos aparelhos para exames e cirurgias, pet shops oferecendo moda em roupas, acessórios, casinhas, camas, lacinhos e guloseimas, e casas agropecuárias com vacinas e tudo o que o bichinho precisa para se manter saudável.
Se eles dão despesas, e necessitam de cuidados especiais, os benefícios que proporcionam valem qualquer esforço. Só quem possui um amiguinho de estimação sabe do seu inestimável valor.

Mãe...eu quero um cachorrinho!

A arquiteta Lisiane Benvenutti relutou em atender o pedido do filho João. Morando em apartamento, e sempre muito ocupada com o trabalho, temia arranjar problemas com a chegada de um pet. Porém, a insistência de João a comoveu, e há alguns meses, Azedo chegou para conquistar a todos. Fofinho, peludo e dengoso, o Shitzu agora é membro da família. “Ele é nosso companheiro, e é um grande amigo do João. Não tem como não se apaixonar. Agora, não conseguimos imaginar chegar em casa e não encontrarmos o Azedo nos esperando”, destaca Lisiane. “Além desse amor todo, dos cuidados dispensados a ele, tem a questão da responsabilidade. Ter um bichinho em casa mudou pra melhor os nossos hábitos. Ficamos mais tempo em casa, caminhamos no sol nas manhãs de finais de semana, e o melhor de tudo: temos uma ótima companhia”. Lisiane recomenda a raça para quem vive em apartamento, já que o Shitzu é calmo e afetuoso. E para compensar o tempo que o bichinho fica sozinho em casa, ele ganha ainda mais carinho no retorno do trabalho e da escola.

Mudança para melhor

Seu filho surpreendeu ao pedir um animal de estimação como presente? Saiba que o benefício principal destacado pelas famílias, pelos pediatras e até por estudiosos é o companheirismo, pois o animal provoca diversos estímulos, principalmente na criança e em idosos. O bebê exercita a coordenação motora ao ter de controlar sua força para acariciar um cachorro, um gato, um coelho. Treina a marcha ao engatinhar ou tentar andar (por vezes, correr) atrás do animal. Olfato, visão e audição são provocados pelos sons, cheiros e movimentos dos bichos. Um estudo realizado pela Universidade Loyola, em Chicago, mostrou os benefícios dos animais nos hospitais. Os pesquisadores afirmam que acariciar um cachorro pode ajudar pacientes internados a reduzir pela metade a quantidade de analgésicos que precisam tomar. Cientistas norte-americanos já haviam revelado também que ter um animal é um ótimo aliado contra o estresse. Os donos dos bichos que participaram do estudo tinham a frequência cardíaca e a pressão arterial significativamente mais baixa se comparados com aqueles que não tinham um animal de estimação. O mascote, sobretudo o cachorro, faz ainda com que a criança exercite sua autoridade num mundo de "adultos-juízes", que arbitram sobre a vida dela o tempo todo. "Com o animal, ela terá a oportunidade de ser o juiz, mandar e desmandar. Além disso, expõe para a criança o significado de preservação à vida e de limite à dor", diz a pediatra Sandra Oliveira Campos.


Cães e gatos, grandes amigos


Jymmi e Mell são os grandes companheiros de Gabi Kerber e Marcelo Borille. Os mascotes se adoram, e colocam por terra a teoria de que cães e gatos são inimigos eternos. Os dois são tratados como bebês, e segundo seus donos, tem inteligência e fidelidade para dar e vender. O amor dispensado aos animais de estimação reflete também a capacidade de cuidar e respeitar os mais fracos. Estudos mostram que o contato com animais ativa áreas do cérebro relacionadas com as emoções. Não é por outro motivo senão a sensação de bem-estar, físico e mental, que terapeutas lançaram mão da terapia com animais para tratar crianças hospitalizadas ou com deficiências mentais. É um excelente treino para a afetividade.
A família Marca tem um eterno bebezinho: Demy, uma poodle tratada a pão-de-ló. Sempre perfumada e com lacinhos da moda, a mascote da família é alvo de todos os paparicos. Luanda, que recentemente casou e deixou a casa dos pais, afirma que ficou com o coração partido ao meio: não queria ficar longe de Demy, e ao mesmo tempo, não queria que a cachorrinha sofresse ao deixar a casa onde sempre viveu e a companhia do restante da família. Resultado: civilizadamente decidiu-se pela guarda compartilhada. Quando não aguenta de saudade, Luanda “rouba” Demy da casa de seus pais, e curte ela em seu novo lar.

Adote um amiguinho

A Protegendo Animais.Com (PAC) é uma organização não governamental de Guaporé que atua na proteção aos direitos dos animais. Além de realizar campanhas de vacinação contra a procriação indiscriminada, a PAC recolhe animais das ruas, recebe denúncias de maus tratos, e principalmente, dispõe de muitos animais abandonados a espera de um lar. Adote um bichinho de estimação, este amiguinho fiel vai transformar sua vida. Informações pelo telefone (54) 3443.1810, com Maristela.

Beleza e mistério expressados no silêncio

Imagine uma partida de futebol arbitrada pela soberana da Mostra Guaporé 2010 Tatiane Baldissera. É difícil imaginar, afinal, ninguém acompanharia o jogo, e sim, as pernas exuberantes da taurina de 20 anos. A guaporense, que reside no bairro Conceição, é uma das modelos da campanha da Mostra Guaporé 2010, que acontece nos dia 6,7,8, 13,14 e 15 de agosto, no Centro Comercial Guaporé.
Vestida com um maiô de couro e sustentando um olhar misterioso, Tatiane surpreendeu a todos. O convite para participar da seleção veio através da Câmara de Indústria e Comércio (CIC) de Guaporé. A acadêmica em Educação Física já havia sido convidada em 2009, mas, naquela ocasião, preferiu não aceitar. Neste ano, o apoio da família e, principalmente, do namorado Ezequiel, ajudou a impulsionar a jovem.
Questionada sobre quais os critérios decisivos para ter sido escolhida, Tati revela: “As meninas dizem que eu posso estar nervosa, mas não demonstro. Na entrevista, foi avaliado o conhecimento de cada candidata sobre a economia e história do município e o significado da Mostra. Eu falei pouco. Depois a gente para e pensa ‘eu poderia ter dito muito mais’, mas faz parte. Todas ficaram nervosas”, diz.


A intimidade da soberana

Tati é vista pelas colegas – Júlia Fabris e Fernanda Peruzzo – como um “amor de pessoa”. E, realmente, quem conversa com a moça percebe de imediato sua inteligência, simpatia, beleza e desenvoltura; qualidades fundamentais para representar a maior feira de Guaporé. Jovem, porém madura, Tati possui um sonho um tanto diferente de sua personalidade angelical: ser bandeirinha de futebol. Na verdade, esse é apenas um de seus sonhos. Dentre eles está o de se formar em Educação Física, ter sua própria academia, casar e ter filhos. Para quem ficou curioso com o tamanho das pernas da bela, Tati revela: “Tenho 1,74 metro de altura e 1,15 metro só de perna. Vocês não sabem o que eu sofro para encontrar uma calça do meu tamanho”, brinca.

Críticas

Assim como recebem elogios, as soberanas também ouvem críticas, mas sabem diferenciar as construtivas das opinativas. “Sabemos que nem todos têm a mesma opinião sobre a campanha publicitária, mas ouvimos críticas pesadas, que nada condizem com o verdadeiro sentido da Mostra 2010. Na minha opinião, a população deveria ajudar a divulgar a feira para que ela seja um sucesso de público. Se ouvimos somente críticas, fica difícil encontrar meninas, nos próximos anos, que aceitem o desafio. Afinal, nos dedicamos muito para representar Guaporé”.

Ping-pong

Livro: A menina que roubava livros
Filme: Longe dela
Time do coração: Grêmio
Trabalha: com os pais, na Delta Joias
Adora: bichinhos de pelúcia, ler, futebol e crianças
Porto-seguro: pais e o namorado Ezequiel
O que esperar da Mostra Guaporé? “Estamos divulgando a feira em diversas cidades. As pessoas estão curiosas para saber o que Guaporé tem para oferecer. Essa é uma oportunidade de trazer turistas para o município, para que eles possam aquecer o mercado e conhecer os pontos turísticos”.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Linda por dentro e por fora

A beleza da guaporense Júlia Fabris já era conhecida por algumas pessoas e empresas ligadas a confecção de lingerie, mas nos últimos dias a leonina de 18 anos surpreendeu a todos, revelando outro lado de sua personalidade: geniosa e fatal.
Júlia recebeu o convite para participar da escolha das soberanas da Mostra Guaporé da equipe da Câmara de Indústria e Comércio (CIC). A princípio relutou, mas por incentivo de sua mãe e do namorado, resolveu tentar a sorte e lançar vôos mais altos. De acordo com a soberana, a escolha foi difícil. Em meio a tantas candidatas belas e preparadas, acredita que sua personalidade marcante e seu passado profissional possam ter contribuído para a conquista do cargo. “Não imaginava que seria escolhida. No dia da entrevista fiquei muito nervosa e deixei de falar muitas coisas, mas para minha surpresa fui escolhida”, confessa.
A rotina mudou completamente. Até então, apenas trabalhava no setor de recursos humanos de uma transportadora e a noite era reservada para a graduação em fisioterapia. Hoje, o telefone não para de tocar, a agenda da moça está abarrotada de eventos pelo Estado e ainda precisa encontrar tempo livre para a família. Neste final de semana, as soberanas representam Guaporé em Carlos Barbosa no Festiqueijo.

Ousadia

A campanha publicitária deste ano é inovadora e ousada. Apostando na sensualidade, no poder da mulher, e no mundo da moda, as soberanas vestem lingeries na cor preta e fazem caras e bocas para as lentes. “A ideia realmente é ousada. Ouvi críticas, mas acredito que está fiel ao objetivo da Mostra Guaporé, que é divulgar nossos principais produtos: lingeries e joias”. Júlia conta detalhes sobre a sessão de fotos que a transformou de menina doce a mulher fatal. “Fotografamos das 9h às 17h. No dia seguinte senti muitas dores no corpo. Para fazer aquela pose, precisei fazer cara de brava e enrijecer o corpo. Aquele olhar acredito que não conseguirei fazer nunca mais”, brinca.
Júlia está adorando a experiência de representar Guaporé, mas o melhor de tudo é o carinho que recebe do público. “Está sendo bem legal. As pessoas, principalmente da terceira idade, são muito simpáticas e nos tratam muito bem. Realmente são muito receptivas. Algumas pessoas pensam que só porque sou soberana da Mostra, estou me achando. Eu, pelo menos, não sou assim”, observa.


Ping-pong

Signo: Leão
Comida preferida: Italiana
Filme: Marley e Eu
Livro: Harry Potter
Gênero musical: Sertanejo
Adora: Cães
Viagem dos sonhos: Fernando de Noronha
Futuro profissional: “Quero definir se sigo na área da fisioterapia, ou invisto na carreira de modelo fotográfico”.
Júlia daqui a 15 anos: “Casada com o meu atual namorado, com certeza. Provavelmente mãe e cuidando de um canil com cães abandonados”.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vereador estuda projeto para a criação de área azul

Com uma frota estimada em 11 mil veículos, mais o intenso número de turistas que visitam a cidade de Guaporé, os problemas e as reclamações no trânsito começam a aparecer de forma mais corriqueira. Acidentes são registrados com maior frequência e a constante falta de locais para estacionamento na área central faz com que as autoridades comecem a buscar uma melhor forma de gerir e administrar esta questão.
A implantação do estacionamento rotativo em algumas ruas centrais de Guaporé começa a ser estudada pelo vereador progressista Adalberto de Almeida. Um projeto legislativo com as propostas deverá ser apresentado nas próximas sessões do Poder Legislativo e posteriormente será entregue ao prefeito Antônio Carlos Spiller. O objetivo é que o documento possa servir como subsídio para a possível confecção de um projeto de “área azul” para a cidade. “O estacionamento controlado é um avanço para todas as cidades. Aumenta o número de vagas para veículos e proporciona melhor mobilidade no trânsito”, destacou Tigrinho.

Possibilidades

Segundo o parlamentar, grande parte do comércio e das agências bancárias do município, assim como as repartições públicas, bares, hotéis e restaurantes estão localizadas na área central. As facilidades encontradas na hora de comprar um veículo fizeram crescer espantosamente o número de carros circulando nas ruas de Guaporé, consequentemente os problemas com o estacionamento também cresceram. “Uma das soluções para amenizar essa problemática, acreditamos, é a implantação da área azul”, afirma.
O vereador destaca que uma possibilidade é que o valor arrecadado seja repassado às instituições assistenciais da cidade. “A minha ideia é envolver o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica) com isso. A intenção é reverter essa arrecadação em favor da comunidade, em especial das crianças”.
O projeto começa a ganhar forma, com o estudo de quais ruas e avenidas receberiam a área azul. Valores arrecadados e custos que a implantação do estacionamento pago geraria ao Poder Público Municipal também passarão pela avaliação do representante do povo guaporense, Adalberto de Almeida.

Seu Davi e a Brasília Azul




Todos os dias ele dá uma olhadinha atrás da porta da cozinha, confere a lista do mercado, passa a mão no boné, pega a chave do carro e diz “Nair, já volto”. Simpático e bem humorado, Armando Davi e sua Brasília Azul ano 73, faz parte da história viva de Guaporé. É difícil encontrar alguém que já não tenha visto esse senhor apressado, ao longo de seus 90 anos. “Vou fazer 91 no dia 27 de julho, Dia dos Motoristas”, avisa.
Filho de Leopoldo Davi e Elizabete Pierina Del Savio, “Seu Davi”, como é conhecido, nasceu em 1919, no final da Primeira Guerra Mundial. Residiu por mais de 50 anos nas terras que hoje pertencem ao Seminário São Carlos. Trabalhou mais de 50 anos na prefeitura, 18 anos no Cartório Eleitoral e 15 anos na Junta de Serviço Militar.

Nomes de trás para frente

Na companhia do inseparável automóvel adquirido há mais de 30 anos, ele aproveita as visitas ao mercado para reencontrar os amigos, colocar o papo em dia e fazer novas amizades, especialmente com crianças, a quem distribui balas e pronuncia seus nomes de trás para frente. “Arieob Alicsirp. Esse é o seu nome ao contrário”, diz sorridente.
O hábito de falar ao contrário começou quando criança. “Não é preciso ser muito inteligente. Minha primeira palavra foi Apolo, que era o nome de um cinema”, diz. Ele conta que, no tempo em que trabalhou no cartório, orientou muitas pessoas a escolher o nome de seus filhos. “Imagina que uma vez um senhor queria batizar o filho com o nome de Esquermecerec. Tive que intervir. O que seria dessa criança?”.
Seu Davi conheceu a esposa, Nair Balbinot Davi, em 1952, na Linha Colombo, quando foi buscar laranjas. “O pai dela disse que eu poderia passar na casa dele e pegar umas frutas. Quando cheguei na casa, vi um dicionário em cima da mesa e pedi de quem era. Ele me disse que era de sua filha, que estudava para ser professora”, recorda. “Meu pai dizia para eu ter cuidado com esse aí”, comenta Nair. Casaram em 1954 e tiveram quatro filhos que lhe deram sete netos.
O tempo

A filha Silvia Davi garante que Seu Davi tem disposição para dar e vender. “Todos os dias ele olha a lista do mercado e sai. Quando volta, ele olha novamente e, quando vê que esqueceu algo, volta a sair. Quando retorna, lembra que esqueceu de algum item e sai mais uma vez”.
Apesar de um pouco de esquecimento, o que é normal para a idade, Seu Davi enxerga muito bem e não pensa em aposentar a carteira de motorista. “Eu gostaria de dirigir até me sentir bem”, salienta. Mas também se recente com os efeitos que o tempo faz com sua memória. “A gente deveria chegar aos 80 e morrer, porque depois começa a falhar tudo”.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Bullyng: prática antiga, problema atual


“Me chamavam de neguinha fedorenta e diziam que eu só deveria comer banana no recreio. Não tinha um dia na escola que eu não sofresse algum tipo de ridicularização por um grupo de colegas.” A discriminação racial, e todo o tipo de discriminação, gerando violência psicológica ou física, é conhecida por bullyng. O termo é atual, mas a prática é antiga. O relato da jovem que hoje, aos 26 anos cursa a faculdade, ainda é comum nas escolas de Guaporé.
A Escola Estadual Bandeirante, identificando a prática na sociedade local, resolveu realizar uma pesquisa de estatística, que ainda está em andamento entre os alunos. A conclusão do estudo para o turno da manhã já aponta alguns dados que demonstram que, as minorias, ainda são as mais perseguidas. Coordenados pela professora Dulcimara Balestreri, os estudantes do primeiro ano do ensino médio aplicaram 382 questionários em colegas de escola. As perguntas estavam relacionadas à prática do bullyng. Foram elas: você já sofreu bullyng? Com que frequência? Que tipo de violência você sofreu?

Diferenças
O que chamou a atenção da professora Dulcimara, foi o tipo de bullyng mais sofrido entre os estudantes da manhã. “Pela manhã, a questão que mais gera esta prática violenta, são as características físicas do indivíduo. Se ele é gordinho, se ele é baixinho, se tem espinhas, se é “diferente” do tipo físico considerado “padrão”. Já no turno da noite, com público mais adulto, mesmo com os números ainda não fechados completamente, podemos afirmar que a questão racial é a que mais gera bullyng”, destaca Dulcimara.
Os dados mostram que há alunos perseguidos por colegas todos os dias. E isso prejudica e muito o desenvolvimento social e psicológico do indivíduo. “Precisamos combater esta prática. O bullyng ocasiona traumas que a pessoa leva para a vida toda. Inclusive há muitos registros de abandono de escola, e em casos mais graves, de suicídio”, alerta.

Marcas de discriminação

 
É dever de toda a sociedade combater todo o tipo de preconceito, perseguição e violência. “Vivemos em um município que carrega traços da colonização italiana. E nossos antepassados ainda deixam marcas de discriminação contra negros, por exemplo. E isso é sentido nas salas de aula”, reforça a professora.
O aluno Carlos Henrique, da escola Bandeirante, veio para Guaporé de Tupandi, e conta que sofreu um bullyng ao contrário. “Sofri bullyng por me destacar no futebol. Como jogava bem, sofria discriminação”, afirma o jovem.
Algumas atitudes comuns nas escolas são os apelidos constrangedores, a perseguição aos mais fracos, a discriminação aos menos habilidosos nos esportes, o deboche pelo diferente, pelo que tem outra opção sexual, religião, crença ou cor, a violência física, com socos, empurrões, entre outros. “Há também o bullyng contra professores. Muitos sofrem grandes perseguições. E com a democratização da internet, a violência psicológica chegou à rede. Faz parte de sites de relacionamentos, com a criação de comunidades no orkut, e até mesmo através do envio de e-mails que depreciam a pessoa”, exemplifica.
Em busca do fim dessas ações de violência, a professora Dulcimara afirma que a escola trabalha há anos por uma cultura de paz. Ela conclama os vereadores e autoridades competentes a criarem mecanismos de combate à prática do bullyng, e que ajudem as escolas a evitar todo o tipo de constrangimento, no ambiente escolar, nas universidades e na sociedade.

"Eu fui vítima dele"

O escritor Rubem Alves destaca, em depoimento, o sofrimento real de quem sofre esta ação. “Eu fui vítima dele. Por causa dele, odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas, eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho. Mas eles não convidavam nem a gorda nem a magricela. "Bullying" é o nome dele. Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares, mas nunca pensei sobre as dores que alunos infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todos os jovens são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis. "Bully" é o valentão: um menino que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem prazer em bater nos mais fracos e intimidá-los.”


O que é Bullyng?

Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. O cientista sueco Dan Olweus define bullying em três termos essenciais:

• o comportamento é agressivo e negativo;
• comportamento é executado repetidamente;
• o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
O bullying divide-se em duas categorias:
• bullying direto;
• bullying indireto, também conhecido como agressão social

O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido através de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:

• espalhar comentários;
• recusa em se socializar com a vítima
• intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima
• criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc).

O bullying pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência. Geralmente praticam bullyng agressores que têm personalidades autoritárias, combinadas com uma forte necessidade de controlar ou dominar.
Números que preocupam


Os resultados apontaram que 25% dos alunos entrevistados são vítimas do bullyng. Destes, 68% sofrem esporádicamente, 15% frequentemente, 14% todos os dias, e 3% não responderam. Dos que sofrem bullyng, 69% sofrem por suas características físicas, 9% por gênero, 1% por raça, 7% mais de um tipo, 12% por outras questões e 2% não responderam.